Beirã
Com uma paisagem diversificada onde pequenos vales férteis pontuam por entre majestosas formações graníticas a freguesia da Beirã é limitada a norte pelas encostas xistosas que ladeiam o Rio Sever. Nos planaltos sobranceiros ao rio abrem-se amplos campos de cultivo intervalados por manchas de azinho, sobro e olivais. É nesta diversidade de solos que uma economia agrícola mista permitiu a sobrevivência de pequenos casais que convivem com as duas centenárias herdades debruçadas sobre as terras de Espanha. Por entre as formações graníticas, aqui e além, pequenos rebanhos de cabras trazem à memória o nomadismo dos pastores de outros tempos. A pesca do barbo e da boga nos pegos do Sever, e a perdiz, o coelho e a lebre caçados por entre campos de giesta e pedra completavam a economia das gentes da freguesia da Beirã. Quando nos finais do século XIX a tranquilidade destes campos é interrompida pela modernidade do comboio assiste-se a uma trepidante mudança da estrutura económica e das tradições. O ambiente rural moderniza-se e o sector terciário emerge à volta da arquitectónica estação dos caminhos-de-ferro. Estabelecidas as acessibilidades nasce o centro termal da Fadagosa, mecaniza-se a agricultura e pequenas indústrias transformadores aproveitam os recursos que a terra oferece. O azeite e o pimentão produzem-se na Herdade do Pereiro e o queijo e a manteiga no Penedo da Rainha, mas será no sector dos serviços que esta freguesia se estrutura e organiza em torno da estação fronteiriça da Beirã. Cento e vinte anos depois do nascimento da sede de freguesia, com a abolição das fronteiras e a agonia do Ramal de Cáceres, a Beirã prepara-se para novos desafios onde a paisagem, o património e os recursos naturais terão um papel determinante. |